Diretores da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa) doaram quatro mil sacolas de pano (algodão cru) ao Hospital do Câncer de Cuiabá. “Ao invés de simplesmente presentear pessoas, que talvez nem precisem dessas sacolas, decidimos oferecer ao hospital para que utilizem em benefício dos nossos irmãos que dependem de atendimento médico”, explicou o presidente da Ampa, Gilson Ferrúcio Pinesso.
De acordo com o cotonicultor, os colegas produtores são sensíveis a causas sociais. Gilson Pinesso acredita que a parceria estabelecida com o hospital, a partir da entrega das sacolas, pode motivar outras ações da Ampa e do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt) com a instituição de saúde. Outra iniciativa dos produtores, na opinião dele, pode ser por meio de donativo em dinheiro indicado na fatura da conta de energia elétrica. “Vamos fazer essa proposta aos produtores, aproveitando o convênio que a administração da unidade hospitalar tem com a companhia de energia elétrica (Rede Cemat), porque temos condições de ajudar sem pesar no orçamento”, frisou o presidente da Ampa.
Ele afirmou que os produtores são afetuosos e de bom coração e, certamente, vão se dispor em contribuir para ajudar no tratamento de pessoas que diariamente buscam atendimento no hospital. “Como disse nosso presidente (Gilson Pinesso), somos extremamente unidos e solidários a ações dessa natureza. Pertencemos a uma geração que trabalha muito e deu prosperidade ao Estado, então, agora, procuramos cooperar com quem mais precisa. A nossa entidade (Ampa) tem muitos projetos sociais em vários municípios mato-grossenses”, assinalou o conselheiro consultivo da Ampa, José Pupin.
As sacolas, produzidas pelo Projeto Japuíra, têm como proposta substituir os sacos plásticos utilizados para embalar as compras no comércio. “Nossa luta, além de trabalhar pela constante qualidade da cotonicultura de Mato Grosso e sustentabilidade econômica da produção, é desenvolver ações sociais e ambientais em favor da sociedade”, sublinhou Gilson Pinesso, destacando que por isso a entidade de produtores decidiu fazer a doação ao hospital.
De acordo com o presidente da Ampa, a administração do hospital saberá muito bem como reverter essa doação em beneficio do atendimento as centenas de pessoas que mensalmente procuram tratamento médico. “O trabalho desenvolvido pelo hospital, que atende crianças, adultos e idosos, é muito interessante e merece sempre nosso apoio”, frisou Gilson Pinesso.
Ele lembra que a ideia é despertar na população o interesse pela preservação do meio ambiente. “Os sacos plásticos, geralmente, vão para o lixo e levam anos para desaparecerem. E o que deixam como resultado são danos irreparáveis ao solo”, esclareceu o presidente da Ampa, acrescentando que foi pensando numa mudança de cultura que a Ampa e o IMAmt resolveram confeccionar as sacolas, feitas com 100% de algodão.
Há pelo menos quatro décadas, as pessoas iam às compras, principalmente nos mercados, e levavam as sacolas de pano para carregar os objetos. Era normal, porque não existiam sacos plásticos com essa finalidade. E, mesmo sem pensar, o meio ambiente estava preservado. Então, agora, mais do que nunca, cabe a nós como sociedade lutarmos contra a degradação ambiental”, garantiu Gilson Pinesso.
Ele sugeriu à administração do hospital que negocie a comercialização das sacolas com supermercados. Aproveitando essa recomendação do presidente da Ampa, José Pupin em um gesto simbólico, e como pontapé de uma futura campanha de vendas das sacolas, comprou uma. “Fiz isso para marcar esse momento e também para incentivar muito gente a adquirir o produto. Temos que agregar valor, porque o que está em jogo é o benefício aos pacientes que precisam do acolhimento oferecido pelo hospital”, assinalou Pupin.
Para a presidente da Associação Mato-grossense de Combate ao Câncer (AMCC), mantenedora do hospital, Maria Elisabeth Meurer Alves, a contribuição dos produtores de algodão é de muita importância para a manutenção da unidade. De acordo com a médica, o hospital tem 85 leitos e realiza mensalmente três mil consultas e três mil cirurgias.
“Com a comercialização das sacolas vamos adquirir materiais que estamos precisando”, avisou a presidente da AMCC. “Essa doação é maravilhosa”, comemorou Maria Elisabeth. Na visão do diretor financeiro da AMCC, Paulo Eduardo Assi, as sacolas serão transformadas em um fonte de renda que chega em boa hora.
De acordo com o médico, o hospital tem um déficit mensal na casa de R$ 50.000,00 por mês. “Vamos aproveitar o apelo ecológico das sacolas e agregar valor ao trabalho desempenhado pelo hospital que disponibiliza toda a assistência especializada e multidisciplinar ao paciente portador de câncer”, apontou Paulo Eduardo.
Homenagem
Depois de entregar as sacolas, os diretores da Ampa e do IMAmt receberam da AMCC diploma de honra ao mérito em reconhecimento ao apoio para o funcionamento do hospital. “Isso é para marcar essa doação e em agradecimento a parceria que estamos estabelecendo”, garantiu a médica Maria Elisabeth.
Depois da entrega do diploma, os gestores do hospital convidaram os diretores da Ampa e do IMAmt para uma visita a ambientes da unidade de saúde. “Estou impressionado com o trabalho realizado aqui”, citou Gilson Pinesso, dizendo que ficou impressionado com a aparelhagem de alta tecnologia que o hospital dispõe no tratamento dos pacientes. “Os médicos são unanimes em dizer que o paciente de câncer, que tem condições financeiras, não precisa procurar hospitais de renome em São Paulo, por exemplo, porque o atendimento em Cuiabá é de primeira linha”, realçou José Pupin.
Além do presidente da Ampa e do conselheiro José Pupin, participaram da doação os diretores executivos da Ampa e do IMAmt, Décio Tocantins e Álvaro Salles, respectivamente.
Projeto Japuíra
O Projeto Japuíra foi criado pela Ampa, em 2002, para estender os benefícios da cotonicultura para a população de vários municípios que não trabalham diretamente no setor. O programa, de apoio à indústria da confecção, foi implantado inicialmente em Rondonópolis através de parceria com o Centro Estadual de Educação Profissional e Tecnológica de Mato Grosso (Ceprotec) e Prefeitura Municipal. Até agora foram capacitadas mais de duas mil pessoas.
A ideia do IMAmt, que estendeu o projeto para fora dos limites de Rondonópolis, é garantir oportunidade a cidades como Poxoréo, Guiratinga, Juscimeira e São José do Povo, e mais recentemente em Nortelândia, que não fazem parte do recente eixo de desenvolvimento de Mato Grosso. Muitos desses municípios foram formados a beira de garimpos e sofrem com a estagnação financeira.
Além de ampliar a abrangência do Japuíra, o IMAmt aumentou a parceria com a Prefeitura de Rondonópolis com a construção de amplas instalações que vão servir como incubadora de indústrias de confecções. Nesse local, vai funcionar um centro de apoio técnico às confecções locais e regionais.
O espaço vai abrigar ainda as indústrias de artesanato e uma cardadeira (máquina utilizada para cardar algodão para fiação artesanal) que vai servir para preparar e abastecer projetos de artesanato de Pedra Preta, Rondonópolis e Primavera do Leste que fazem parte de outro projeto Algo D+ que o IMAmt apoia em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) de Mato Grosso.
Fonte: Assessoria de Comunicação da Ampa
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